domingo, 26 de junho de 2011

"Noite estrelada", de Van Gogh


INQUIETAÇÃO


Os olhos rastreiam estranhas imagens
e são densas as paisagens
que circundam o corpo
surpreendido pela o avesso da visão.
Estão suaves os escuros dentro de mim
e são femininas as minhas estranhezas
como as misteriosas sensações.
Brilhantes luzes vagueiam
sobre um negro pano de fundo.
Os toques tocam as possibilidades
e, diante de mim,
trazem a impressão das estrelas.

Eu sou agora a pura inquietação,
noturna e morna voragem,
sopro de brisa que em mim
provoca leves rubores...
Eu sou o eco das minhas vontades,
feito as águas do rio e suas profundezas.

Genny Xavier


"Noite estrelada sobre o Ródano", de Van Gogh

9 comentários:

Claudinha ੴ disse...

Também ando a me inspirar em estrelas, mas não a expressar tçao bem como você! Lindo poema, me encontrei nele. Beijos!

Mar Arável disse...

Palavras limpas

nas águas fundas

BLOG DO VIRGUM disse...

Belíssimo poema Genny,estou olhando outros, já pensando em musica-los. Abçs e Bjs

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

De uma sensibilidade exata. Ah, amiga, quando teremos o seu livro na praça?
TE AMO

O Falcão Maltês

heretico disse...

"Eu sou agora a pura inquietação,
noturna e morna voragem..."

sensorial e vibrante, como as cores de Van Gogh.

beijos saudosos.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

-

Ainda o sono agoniado
e o desatino de poeta
de coitos em noites de sortilégios
de urbes medievais inconquistáveis
e aventuras rosáceas

Ainda os encantos inventados
piratas, alienígenas e vampiros à espreita
o mistério da terra e da semente
o olhar dadaísta
e sustos cíclicos de menino

Ainda o mundo sem fim
o coração aos saltos
a alma líquida e insone
a dúvida lânguida
o céu e os rios, a chuva e o sol

E sobre os versos imperfeitos
o espírito inquieto
a melodia fraterna
a fauna invisível
o tempo que não volta mais

Ainda a alquimia da vida
o abraço sentido
núpcias de línguas de fogo
o desânimo de patas e focinhos
e a compaixão em um universo molusco

E nos subúrbios
na aridez do sertão
nas montanhas lá de longe
nos recantos obscuros
no fulgor das trevas:
fadigas e fragilidades
aranhas e formigas
insultos e armadilhas
a textura do amor que cega
nos cobrindo de beijos e cravos

Ainda o amor cálido se derramando
vestido de púrpura, de prata, de delicadeza
à espera do simples e do justo


ANTONIO NAHUD JÚNIOR

Solineide Maria disse...

fiquei quieta nessa inquietude ampla. Esse quadro escrito. Nessa sensibilíssima emoção.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

o céu de van gogh. existe outro mais poético?

O Falcão Maltês

Rita Lavoyer disse...

Genny, extrapolou emoções. Até as estrelas brilharam mais nesse céu que vislumbro na sua poesia.
Grande abraço.
Rita