sábado, 17 de julho de 2010

"Nas fendas do insignificante ele (o poeta) procura grãos de sol." (Manoel de Barros)


POEMA POR UM MOTIVO DE FLOR


Em sonho, estive querendo
sondar os olhos e as mãos
de quem me deu uma flor:

Dos olhos,
eu queria
um lago
de águas de placidez.

Das mãos,
eu queria as rotas
de lentas texturas a passear.

E da flor
- púrpura cor em broto -
eu queria o pulso de pulsar.

Mas, as horas passam
e marcam o tic-tac
que intermediam
assuntos confessáveis.

Os olhos, as mãos e a flor
são ritos sutis
que suavizam
palavras de densidades.

E, enfim,
há nesta noite
de surpresas inconfessáveis
uma fenda e uma réstia:

Da fenda,
eu espio uma imagem
e da réstia,
eu penso chegar mais perto...

Genny Xavier

5 comentários:

São disse...

Espiar, na fenda, uma imagem é a tarefa de quem escreve assim poemas tão belos.

Bom domingo.

cristinasiqueira disse...

Oi Geny,

Adorei o poema que vc deixou no meu blog.E não só,adorei ler Manoel de Barros e sabê-la de Itabuna.Estou em Trancoso e MEU DEUS como amo a Bahia.
Ontem postei no www.euamotrancoso.blogspot.com
Passe por lá.

Com carinho,

Cris

heretico disse...

que a fenda se abra em flor. e o pulsar em sangue. e seiva...

belíssimo e delicado poema. na subtileza palpitante das horas em "tic tac..."

beijos

Rita Lavoyer disse...

É dessa fenda que nasce todo o pulsar do ser.
Mas ser fenda não basta. Pulsar também não. É preciso mais. Muito mais...
Aquele 'it' que só a poesia traz.
Grande abraço

Desnuda disse...

Querida amiga,

da citação ao título e todo o corpo do poema pulsam sensibilidade e beleza. Lindo! Obrigada, Genny.


Carinhoso beijo.