"(...) Até parece que guardo/ num baú de passados/ uma antiga paixão/ (...) Até parece que guardo/ num baú de sentimentos/ uma viva afetação/ (...) Até parece que guardo/ num baú de resguardos/ resíduos de reputação/ (...) Até parece que guardo/ num baú de retratos/ a dose mais forte de minha ilusão." (Germano Xavier)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
sábado, 26 de setembro de 2015
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| Fonte: Google |
MEMÓRIAS DOS BALÕES
Remotamente,
a infância transgride
a curva do tempo
e salta no espaço
para encontrar
a memória vívida dos dias…
E traz, na superfície dos
sentidos,
a magia acima da lógica,
as horas longas,
fora do relógio dos homens;
o riso solto,
além das lágrimas;
o coração aos saltos,
inflado da leveza dos balões…
Saudosamente,
a infância se dilui na
aurora,
deixando seu frescor
para colorir a manhã azul…
Genny Xavier
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
NOITE ENLUARADA
Genny Xavier
Meu
passo tonto
costura
o vento
ao
curvar a rua.
O
gato preto
espreita
meu olho
que
vagueia a noite.
De
longe, a coruja pia
testando
meu medo
dos
presságios da vida.
De
perto, a sombra cresce
trazendo
as memórias
dos
pesadelos infantis…
Assim,
desperto
e
espio o silêncio
da
lua tão grande,
tão cheia...
tão cheia...
Genny Xavier
terça-feira, 28 de julho de 2015
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| Homenagem da Rede Sul Bahia, da jornalista Vera Rabelo, aos 105 anos de Itabuna-Bahia https://www.facebook.com/RedeSulBahia |
O ANIVERSÁRIO DA CIDADE
Para Itabuna
A cidade é marca indelével
cravada num peito aberto.
Expressa, na dureza dos anos
e na fragilidade dos dias,
a erosão inevitável do tempo
que move as pedras pretas
ao sabor das águas turvas do rio.
A cidade comove os homens,
na sua falta de riso e paisagem,
em sua ausência de sentido e arte,
em sua dor de mácula e fome.
E se recente do tapa que fere o povo
e se debate na água suja que afoga os reis
e se contorce na tortura explícita que aniquila os sábios.
A cidade tão minha de paixão,
tão nossa de ilusão,
resiste aos dias ensimesmados
e toma o sol das manhãs,
a chuva das tardes
e as estrelas das noites
no aniversário dos anos.
Genny Xavier
terça-feira, 21 de julho de 2015
terça-feira, 23 de junho de 2015
"Poesia é voar fora da asa." (Manoel de Barros)
POESIA, ESSÊNCIA DE TUDO
"Entre a idéia e o ato cai a sombra
e neste hiato está a poesia e sua
capacidade de relacionar o indizível”
(T.S. Eliot)
A poesia é a essência, expressa na paisagem noturna que sopra
indagações e dissabores; ou a cadência do andar feminino que embala o ritmo e
que moleja o vai-e-vem dos passos, a ondulância das formas; A poesia é a
essência, expressa na voz bendita do menino que vende doce e grita “Olha o quebra-queixo! Olha o quebra-queixo!”;
ou no poema que se inscreve no palavrear mágico e abominável que o poeta cria;
A poesia é a essência fluídica de um perfume no ar, que vai percorrendo
entrâncias, frestas e caminhos para pousar nos dedos do poeta que ensaia o
poema... Da poesia não se diz, se percebe, se degusta, se aspira, se debruça.
Conceituar poesia nos remete aos olhos que pairam sobre montanhas e
idéias. Dá-nos vontade de exercitar o onírico, o lúdico, o belo, o indizível. E
lembrar-nos que as palavras se entranham, se combinam se atraem e restituem
melodias, sons e ritmos; e criam metáforas e dizeres por trás das coisas.
A poesia e o poema estão unidos e próximos pela relação que o poeta
lhes remete. O poeta capta a poesia que se eterniza no poema, “ideia” e “ato” de uma “sombra” que
emerge dos escuros, da invisibilidade, da incapacidade daquilo que não se diz.
A poesia é o impossível que se desvela; o suspiro, a divagação, a crítica, a
construção, o belo e o feio, a dor, o asco, o susto, inseridos na projeção
poética, no paradigma existencial do poeta que, entre a ideia e a forma,
captura a poesia que se cristaliza no poema e se instala na literatura.
Mas, afinal, o que é a poesia? De que partícula ela se compõe? Que olhos
tem? Que bocas? Quantas mãos? Com qual das faces nos olha a poesia?
Mediante os gostos e as diferenças, podemos dizer que a poesia é a
essência subjetiva de uma sensação; é o fluído que percorre paisagens,
atravessa pessoas e fotografa coisas e objetos; é o parêntesis entre o dizer (expresso pelo poema) e o não-dizer (expresso pela poética). A
poesia é a refração, o interlúdio da razão e o prelúdio da emoção.
Genny Xavier
terça-feira, 26 de maio de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Amor é fogo que arde sem se ver,/ é ferida que dói, e não se sente;/ é um contentamento descontente,/ é dor que desatina sem doer." (Camões)
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| Fonte: Google |
A RIMA DO AMOR
Amor
rima com dor
em
posição inversamente recorrente.
Mas,
caso calhe ao amor
-
voluntarioso e surpreendente -
a
rima escapa à sua sina
para
em outra combinação
buscar
na palavra esplendor
a
bendita razão da chama
que
aquece o amor.
Pois
não há como não dizer
que
o sentido da rima
ora
estará para a dor
ora
servirá ao esplendor.
Assim,
amorosamente,
o
verso revelará a dor que nos consome
e o
esplendor que nos liberta...
Genny Xavier
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| Fonte: Google |
sábado, 13 de dezembro de 2014
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| Salvador Dali, 1943 |
FLUIR
Em sua ácida avidez de
essência
o vazio difunde-se
no oco da alma...
E torna ermo o coração...
E torna gélida a razão...
Os elos se partem,
as fibras se rompem,
se dilaceram as entranhas...
Porém, onde já se impera o
vácuo,
um ínfimo grão luzidio
rompe o casulo de seda
e, fundo, respira a
liberdade
da vida teimosa...
Genny Xavier
terça-feira, 10 de junho de 2014
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| O Tempo (Imagem: Google) |
O PODER DE CHRONOS*
Gira o tempo
em que se gastam as horas
ao rigor dos fatos que sucedem
manhãs, tarde e noites...
Gira o tempo
em que se consomem as horas
no fervor das perplexidades que emolduram na tela
o cotidiano dos dias...
Gira o tempo
em que as horas vibram
ao som mortal que devora a noite:
estampido seco... grito rouco...
Tempo... tempo... tempo...
Roda que gira a vida
pontas que atam mistérios de nascer e morrer
ampulheta que escoa os anos...
GENNY XAVIER
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| "Chronos, o deus do Tempo" - Maurício Herrera |
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* Na mitologia grega, Chronos (em grego Χρόνος, que significa tempo;
em latim Chronus) era a
personificação primordial do tempo.
Os
gregos antigos tinham três divindades que encarnavam conceitos sobre o tempo: Chronos, Kairós e
Aeon. Chronos refere-se
ao tempo cronológico, ou sequencial, que pode ser medido, associado ao
movimento linear das coisas terrenas, com o princípio e o fim. Kairós refere-se a um momento indeterminado
no tempo, em que algo especial acontece, o tempo da oportunidade. Aeon era
um tempo sagrado e eterno, sem uma medida precisa, um tempo da criatividade
onde as horas não passam cronologicamente, também associado ao movimento
circular dos astros, e que na teologia moderna corresponderia ao tempo de Deus.
(Fonte:
Wikipédia)
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