"(...) Até parece que guardo/ num baú de passados/ uma antiga paixão/ (...) Até parece que guardo/ num baú de sentimentos/ uma viva afetação/ (...) Até parece que guardo/ num baú de resguardos/ resíduos de reputação/ (...) Até parece que guardo/ num baú de retratos/ a dose mais forte de minha ilusão." (Germano Xavier)
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
"Sonhar é acordar-se para dentro" (Mário Quintana)
Assim, uma pergunta talvez paire por um longo tempo em minha cabeça: O que será que havia naquela caixa?
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Nada jamais continua...Tudo vai recomeçar! (Mario Quintana)
sábado, 28 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012

Outrora veio a noite
e os gritos cessaram
na mudez das vozes,
e os sussurros alucinantes também.
Aparentemente vazios
restaram todos os espaços
na boca do silêncio...
De repente,
do sangue vertente
dos lábios trêmulos
a voz (quase disforme) ressuscita
e percorre as ruas estreitas,
os becos fétidos
e as praças escuras da pólis urbana...
De repente,
desse tempo medonho
em que se revolve as entranhas da noite,
resurge o brado
no vigor pulsante
das roucas gargantas
ao romper da madrugada...
Então se refez o dia,
fecundado no último instante do ocaso,
gerado no silêncio do ventre da noite
e parido no primeiro suspiro do sol...
domingo, 25 de março de 2012
PEQUENA CRÔNICA PARA UM DIA EM PRETO E BRANCO
Chego meio controvertida no balanço do final dia. Chego a esquecer a razão, este esquema cheio de limites com o cotidiano. Tento buscar Neruda, Dikens, Dylon, Lispector...todos perdidos nas imagens bicolores da minha alma, na paisagem em preto e branco.
Confundo minha melancolia com o sol se pondo numa praia distante - ou não tão distante, tão ali quanto a doce Olivença e acolá quanto o farol de Itacaré. Confundo olhos expressivos com sorrisos irônicos – meus estranhos olhos e mil risos não padronizados, quase sagazes e atrevidos.
Talvez fosse terna a marca registrada do oposto - tão diversa e próxima, como todo oposto. Talvez fosse simplesmente novo o mesmo gosto de coisas diferentes, ou apenas um sentimento de aventura. Talvez fosse o que poderia ser de um instante eterno, mas nunca durável no tempo.
Pela síntese, eu me delimito no espaço amplo da minha busca. Portanto, por hoje, eu desejo apenas ser poeta, para fazer da loucura, do vento e da estrada, a razão quase humilde do meu estado de liberdade.
Genny Xavier
*Olivença – Distrito de Ilhéus, litoral do sul da Bahia.
*Itacaré – Pequeno município no litoral do sul da Bahia
segunda-feira, 5 de março de 2012
"Pensar é um ato. Sentir é um fato." (Clarice Lispector)
"Não entendo, apenas sinto.
Tenho medo de entender e deixar de sentir."
(Clarice Lispector)
DUELO
Eu me sinto
entre o peso e a medida
em que se pondera os sentidos
do coração exposto...
Ou se entrega livremente
ao rigor das brasas,
ou desliza tensamente
na fria rigidez do gelo...
Eu me sinto
ao sabor da metáfora
que pisa um chão
de estrelas intangíveis...
E teme um bloco de céu
desabando sobre os ombros
como se contrário fosse
o mundo dos afetos...
Eu me sinto
na antítese dos sentimentos
em que a lua me toma por bêbada
e o sol me aguarda ao amanhecer
para a lógica dos dias...
Ainda que me sobrem as reminiscências
do delirante aconchego
das noites de verão...
Ah! Eu apenas sinto:
Êxtase e graça,
dúvida e medo,
na afluência das veias abertas do corpo...
Foto web/Googledomingo, 5 de fevereiro de 2012
Quero o fluxo vivo
nas veredas sanguíneas do corpo
e drenar as feridas
do tempo exíguo de agora...
Quero o passo cego
e o impulso heróico
ao beiral da montanha
no vôo livre das musas eclipsadas...
Desejo o temerário risco,
a sentença do xeque-mate
no tabuleiro da vida,
o blefe no engenho da sorte...
Anseio o gesto-entrega
de quem beija o vácuo
e abraça o vento
como a competir com Zéfiro...
Entrego o sonho utópico
ao devaneio da hora
e deságuo, serenamente,
no leito corrente do rio dos olhos...
Genny Xavier
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O VICEJAR DO TEMPO
"Vi as águas da noite galopando entre as vinhas
e buscando meus sonhos. (...)
Vi sombras, elfos e ciladas.
Laços de pedra e palha entre as alfombras.
Hilda Hilst - Da Noite (fragmento)
Qual porta esqueci de abrir
e a segurança das coisas e das pessoas
se esvai ao sabor de tudo que é inevitavelmente mutável...
Vão-se as ocorrências das fantasias oníricas
e as sensações vulcânicas do tecido da pele...
Vão-se o pestanejar das retinas atentas aos festejos da infância
e a respiração presa no esgueirar das noites
de beijos roubados da adolescência...
É certo que há agora esta beleza do amadurecimento da fruta do tempo,
mas é uma doçura que já não se pode perder num só instante
ao frescor do néctar da existência...
É preciso sorver a seiva no tronco fértil da árvore da vida
e cobrir-se dos seus caules que apuram o verdejar das folhas,
o perfume das flores e o sabor dos frutos
na permanência da fecundidade do tempo.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Queridos amigos,
Num baú se guarda lembranças, afetos, reminiscências...num baú se guarda de tudo um pouco e de todos um pedacinho...todos aqueles que por aqui passam e deixam algo de si na caixa de guardados de coisas e pessoas especiais...
Então, neste Natal venho apenas celebrar a partilha e a sintonia das idéias com cada um destes amigos que, ao decorrer deste ano, repartiram comigo o gosto e o encantamento pelas palavras e tudo aquilo que se cria através delas...Amigos que abriram este meu baú para degustar comigo do prazer de ler e saborear palavras...
Que 2012 guarde todas as boas surpresas...siga a trilha...

















